Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo

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Carta Aberta dos Trabalhadores do Centro de Saúde Escola Butantã a Fábio Hideki Harano

Nós, trabalhadores do Centro de Saúde Escola Butantã Samuel Barnsley Pessoa
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo decidimos hoje em
Assembleia, por unanimidade, vir à público manifestar nosso repúdio à prisão
arbitrária de nosso colega Fábio Hideki Harano, preso em 23 de junho de 2014 após
participar da manifestação “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”.
O envolvimento de Fábio com as causas que ele acredita é visível para todos
nós. Ele não poupa energia para defender direitos da população, mesmo que ele não
seja diretamente beneficiado, e é comum vê-lo ir, ao término de seu expediente, apoiar
presencialmente atos em defesa do bem comum.

Sua militância se expressa também por meio de seu compromisso com seu
trabalho como servidor público, realizado com inquestionável retidão. Em seu trabalho
na farmácia, Fábio é reconhecido por sua gentileza e atenção dispendida a cada pessoa
e pela consciência de seu papel de educação em saúde nos seus atendimentos. Sua
atuação política no serviço é também marcada pelo diálogo transparente e construção
democrática, sempre se posicionando com convicção e respeito ao outro e às decisões
coletivas.

Portanto, foi com assombro que recebemos a notícia de sua prisão e das cinco
acusações que lhe estavam sendo imputadas. Não precisamos nos deter sobre três
delas (porte de material explosivo, desacato à autoridade e resistência à prisão): há
vários vídeos e testemunhos do momento de sua prisão que desmentem essas
acusações. Quanto às outras duas (associação criminosa e incitação à violência), estas
nos causaram verdadeira indignação pois não condizem, em absoluto, com o Fábio
Hideki Harano, militante, comprometido e não-violento, que conhecemos. Para nós, a
conversão em prisão preventiva e a negação do pedido de habeas corpus sob a
justificativa de oferecer “perigo à ordem pública” são ultrajantes e consistem em um
ato maior de violência perpetrada pelo estado, que merece nosso mais veemente
repúdio.

Ao colega Fábio, oferecemos nosso apoio e solidariedade e desejamos-lhe força
diante dessa injustiça. Seguimos juntos!


Trabalhadores do Centro de Saúde Escola Butantã
da Universidade de São Paulo

03 de julho de 2014

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