Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo

Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo

SOBRE A DESVINCULAÇÃO DO HU DA USP: MAIS UMA FALÁCIA DE ALCKMIN

Por Nelson Novaes Rodrigues, militante do PSTU

O governo de Geraldo Alckmin tem uma política consciente de transferir a responsabilidade das áreas sociais que são de sua esfera e dever, como transporte,saneamento e sobretudo a saúde, para entes privados. No caso da saúde a modalidade preferida de privatização tem sido as “Organizações Sociais”
Neste contexto, a proposta de desvinculação do HU da USP para gestão da secretaria Estadual de Saúde é uma falácia e uma falsa saída que o governo tucano apresenta para mascarar o subfinanciamento de verbas existente para as universidades estaduais. Trata-se da conhecida tática de sucateamento deliberado de equipamentos de saúde com vistas a sua privatização,possivelmente como organização social. Neste sentido, nossa tarefa é rechaçar esta medida, que é também uma afronta à autonomia universitária, conquistada por anos de luta da comunidade universitária.
Nós que militamos há longo período no Sinsprev-SP, afirmamos categoricamente que vivemos uma trágica experiência com estes processos de privatização, terceirização e entrega de serviços e ações de saúde para O.S., que ocorreram apesar de vários processos de luta e resistência de que participamos. Um exemplo disso é o Hospital Brigadeiro,uma unidade de excelência nacional que fazia mais de trinta mil consultas por mês, com atendimento especializado em ginecologia oncológica,dermatologia,endocrinologia voltada para atenção a diabéticos e anemia falciforme, urologia e pediatria. Por determinação autoritária da Secretaria Estadual de Saúde o Brigadeiro subitamente se transformou em hospital de referência do homem e de transplantes, gerido pela famigerada SPDM, organização social que é um braço privado da UNIFESP. Daí se vê que também o governo federal é cúmplice e agente ativo do processo privatizador da saúde pública.
Queremos deixar claro aqui que não somos contrários a que se criem serviços especializados em transplantes ou saúde masculina,mas não aceitamos um processo em que simplesmente se ignorou a excelência de serviços úteis instalados no hospital Brigadeiro há anos, com profissionais altamente especializados. Para piorar, o hospital antes de ser entregue à SPDM foi amplamente reformado e revestido de boa aparência com dinheiro público pela Secretaria estadual de Saúde e generosamente repassado aos desígnios da lógica do lucro, enquanto um terço de sua capacidade está desaproveitada.Pasmem que, recentemente,os usuários e funcionários do Brigadeiro perceberam um intenso mau cheiro no prédio e, ao abrirem a porta de um dos andares desativados se depararam com ratos,baratas e insetos em putrefação, mostrando que a gestão privada, pretensamente mais eficiente, não foi capaz de manter uma higiene mínima do hospital.Esta mesma gestão se negou a deferir laudos periciais para a manutenção da insalubridade para uma parcela significativa de funcionários do hospital, alegando que o hospital estava totalmente salubre..
Outro exemplo de privatização que vivenciamos foi do PAM-ARE Heliópolis, que atendia mais de 25 mil consultas, exames e procedimentos mensais.Ele foi fechado para reforma e entregue para a organização social SECONCI (vinculada à construção civil e estranha ao setor saúde). Este equipamento foi transformado em um ambulatório de atenção a adolescentes para o combate a alta incidência de gravidez precoce e dependência de drogas nesta faixa etária. Novamente dizemos que não somos contrários à criação de serviços especializados, porém não às custas de destruir os já existentes!
Na região oeste da cidade foi fechado o Hospital Sorocabano e recentemente o PAM Lapa,que de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde se transformará em um centro de referência para idosos, o que é estranho pois bem próximo do local já existe um equipamento com esta finalidade.
Voltando ao tema do H.U., fazemos a defesa incondicional do H.U. porque é inadmissível que a reitoria se apoie em uma alardeada crise orçamentária da USP para sucatear e ameaçar de desmonte um hospital que cumpre um papel educacional e de assistência à comunidade da USP e a um importante contingente de habitantes da região do Butantã. Trata-se de uma região com 500 mil habitantes e de um hospital de referência, que no ano passado realizou 282 mil atendimentos de urgência/emergência, 12 mil consultas ambulatoriais mensais , 13 mil internações, 400 cirurgias por mês, 2500 partos,140 mil exames de imagem e 970 mil exames laboratoriais. Tudo isto já em um contexto de redução de 20% de gastos com materiais e mantendo a qualidade dos serviços.
A desvinculação do H.U. agravará ainda mais o já precário acesso à saúde da população da região e afetará gravemente o patrimônio da USP, construído com dinheiro público. O hospital e seus funcionários ficarão reféns da Secretaria de Estado da Saúde que é o supra-sumo da falência do sistema público e do favorecimento dos empresários da saúde, que são parte da classe que financia e dá suporte ao governo tucano. Além disso, a gestão privada certamente prejudicará o aspecto de ensino do H.U.
Neste aspecto, é necessário ampliar para o conjunto da população a discussão para a manutenção do vínculo do H.U. a USP, para que sua excelência seja preservada.É preciso potencializar as mobilizações, a partir do exemplo do “abraçaço” ao hospital realizado massivamente durante a greve e da passeata que se dirigiu da USP ao H.C.,assim como as pressões sobre o Conselho Universitário da USP.
É importante registrar que o altamente reconhecido Instituto Butantã, polo de pesquisas sobretudo em vacinas está sendo desmantelado. Se faz necessário denunciar que o HRAC de Bauru, hospital de anomalias crânio faciais que é um centro de destaque internacional que faz cirurgias complexas de correção labio-palatais e transplante de cóclea acabou de ser desvinculado da USP por proposta expressa do reitor. O governo do estado tem planos de se desobrigar deste hospital e entregá-lo para gestão privada, como um hospital geral da região noroeste paulista, possivelmente na forma de autarquia ou organização social (assim como os hospitais Master e Américo Brasiliense).
Por tudo isso, exigimos, em nome de um verdadeiro e muito necessário Plano de Resgate do SUS:
-SAÚDE NÃO É MERCADORIA!:
- REVERSÃO IMEDIATA DE TODAS AS PRIVATIZAÇÕES NA SAÚDE!
- DOBRAR O FINANCIAMENTO NA SAÚDE PÚBLICA DO ESTADO!
- ABERTURA DE CONCURSOS PÚBLICOS E CONTROLE SOCIAL DA SAÚDE!
- PELOS DIREITOS SOCIAIS DOS TRABALHADORES DESTES SERVIÇOS!
- POR UM SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE PÚBLICO, ESTATAL E DE QUALIDADE SOB O CONTROLE DOS TRABALHADORES!

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.