Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo

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Relato e encaminhamentos - Seminário de Lutas da Saúde de 12/11/2016



Relato e encaminhamentos - Seminário de Lutas da Saúde

No dia 12 de novembro de 2016 aconteceu em São Paulo o Seminário de Lutas da Saúde - uma estratégia de fortalecimento das lutas que defendem a saúde como um direito de todos. Este seminário foi uma iniciativa do Fórum Popular de Saúde, do SINSPREV e da Primeira Oposição (trabalhadores da saúde estadual), mas na qual se somam outras organizações como a Unidade Classista e a Conlutas.

O dia começou com a apresentação do professor Áquilas Mendes, economista da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Em defesa de uma saúde emancipada e de uma saúde com liberdade, o professor apresentou detalhadamente como a PEC 241, agora PEC 55, retira recursos da saúde pública.O subfinanciamento na saúde, as dificuldades de acesso a saúde, o controle da nossa vida pelo capital financeiro e o aumento de doenças crônicas provocadas pela exploração capitalista são expressões de um capitalismo sem mundo. Segundo Áquilas a luta pela saúde é uma luta pela vida e, portanto, contra o capitalismo. Denunciou que o governo Temer, em conjunto com os economistas globais, estão mentindo para nós quando dizem que a PEC não irá tirar recursos da saúde.

O professor explicou que este mesmo governo que retira dinheiro da saúde dos brasileiros transfere recursos públicos a saúde das elites. No Brasil, segundo ele, existem seis hospitais (cinco em São Paulo e um no Rio Grande do Sul) denominados de excelência que são considerados filantrópicos e recebem isenção de impostos e recursos do ministério da saúde, mas nem um pobre passa pela suas catracas para ser atendido. A contrapartida são cursos que estes hospitais destinam para o SUS sem nenhuma transparência dos recursos. Estes hospitais são: Albert Eisten, Sírio Libanês, Samaritano, Hcor, Oswaldo Cruz e Moinho de Ventos. De forma especifica Áquilas abordou o absurdo do Hospital Samaritano que foi vendido para o capital estrangeiro, a partir de uma lei aprovada pela então presidente Dilma em 2015 e continua recebendo recursos do SUS. Ou seja, o SUS corta recursos dos trabalhadores e usuários mais pobres, mas continua a despejar recursos no Hospital Samaritano que pertence ao capital estrangeiro.

Terminou sua fala exaltando todos a lutar contra a PEC.

Depois da sua fala tivemos a intervenção de Caraí – um ativista indígena da baixada santista – que falou da realidade da saúde indígena. Como processos de luta dependem de uma visão partilhada da situação e uma linguagem comum, seguiu-se um intenso debate entre os participantes com mais de vinte falas expondo problemas em diversos locais e respostas de lutas que poderiam ser dadas pela ação conjunta dos participantes.

Grupos de discussão

A partir de uma metodologia voltada para pensar uma campanha de luta, os participantes foram divididos em quatro grupos. Cada grupo respondia a uma mesma pergunta geral e uma pergunta específica.

Pergunta Geral: Como resistir contra o desmonte e lutar por um SUS público, estatal e de qualidade?

Perguntas especificas:

  • Como realizar ações entre os trabalhadores (organizados ou não) para fortalecer a luta da saúde?
  • Como fazer ações de formação, agitação, comunicação/mídias digitais para fortalecer a luta da saúde?
  • Como a luta da saúde pode ser articulada com outras lutas (estudantes, movimento indígena, LGBT, feminismo, moradia...)?
  • Como ampliar o diálogo da saúde com instituições religiosas?
  • Os participantes dos grupos participaram ativamente com propostas práticas para a construção de uma campanha de luta pela saúde e pela vida – contra a PEC.

Plenária
A plenária foi o momento de socializar as propostas e distribuir tarefas e compromissos entre os participantes. Abaixo está os encaminhamentos da plenária que foi resultado do trabalho dos grupos:

ENCAMINHAMENTOS
1. REUNIÃO CAMPANHA de LUTA pela Saúde: 23 de novembro, quarta feira, às 19h no SINSPREV – Rua Antônio de Godói, 88 – 2 andar.

2. Participar do protesto geral contra a PEC no dia 25 de novembro. Com uma ação específica da campanha, posteriormente, participar da concentração geral.

3. Organizar um protesto específico da saúde (será a pauta principal da reunião do dia 23 de novembro)

4. Formou uma comissão de articulação das lutas da saúde com outros movimentos
Responsabilidade: articular diversos movimentos para fazer parte da próxima reunião dia 23 de novembro.

5. Formou uma comissão de comunicação.
Responsabilidade: fazer o panfleto para ser distribuído no protesto do dia 25 de novembro

6. Comissão de dialogo inter-religioso das lutas da saúde
Responsabilidade: Escrever uma carta com um discurso inter-religioso convocando todos para as lutas da saúde. Passar um abaixo assinado contra a PEC. Organizar uma celebração inter-religiosa de luta sobre a campanha pela saúde e pela vida. Fazer uma cartilha para fomentar a participação de novas pessoas

7. Articular a criação de Fóruns e núcleos da campanha da saúde em outros municípios como Guarulhos, por exemplo.

8. Articular participação no seminário nacional da Frente Contra a Privatização da Saúde. Interessados entrar em contato com o Mário: 963973040
Organizar é, sobretudo, estabelecer laços e o grau de organização se mede pela intensidade do encontro e da partilha. Vamos em frente, com a determinação de agirmos juntos.

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