Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo

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| Corujão da Saúde do Dória para abocanhar o SUS |

O prefeito eleito em São Paulo traz como proposta de sua campanha o lançamento do programa “Corujão da Saúde”. Nele, defende que sejam disponibilizadas vagas para exames em hospitais privados em parceria com a prefeitura para atendimento de pacientes do SUS . A principal estratégia para lidar com filas de espera consiste na realização dos exames no horário das 20h às 8h, período em que os serviços de saúde não operam com sua capacidade total. É bom salientar que tal estratégia não é exclusiva na cidade de São Paulo, se estendendo também a outros municípios de gestão tucana.
Mas o que está por trás dessa pretensa preocupação com a longa espera por exames pode ser notado por um olhar mais atento sendo feitos os seguintes questionamentos: Por que não utilizar a capacidade do próprio serviço público? Qual estratégia será usada para suprir a demanda de trabalhadores/as (sejam da saúde, sejam de outras áreas necessárias de infraestrutura como o transporte, por exemplo) para cobrir tais horários e realizar os procedimentos? Como as empresas lidarão em relação a atestados médicos para quem tiver consulta na madrugada fora do horário de trabalho? E sobre necessário investimento a longo prazo na saúde pública, os hospitais públicos já não deveriam ter os equipamentos necessários? Se é possível gastar mais com saúde direcionando recursos e isenções à iniciativa privada, inclusive na garantia de segurança e transporte dos pacientes na madrugada, porque não investir de modo permanente – e não apenas por 1 ano?
Se analisarmos a conjuntura atual e outras medidas tomadas pelo Prefeito João Dória no começo de sua gestão, fica nítido que trata-se de mais um episódio do avanço de uma estratégia privatizante, mais uma forma de repassar o dinheiro público da saúde para o setor privado.

A estratégia antiga de reduzir os serviços públicos a pó para justificar o investimento no setor privado – que com dinheiro investido, obviamente passa a “melhorar” e momentaneamente, sobretudo no período de consolidação dos projetos, dar a impressão para a população que o problema está no SUS e não no subfinanciamento do mesmo. Dessa forma, é passada a ideia de que se tornará “inviável” contar só com a rede pública, o que justifica nessa proposta perversa a entrada do setor privado, o qual coloca como máxima prioridade os lucros em detrimento da qualidade da saúde pública e da dignidade da população. 
Afirmamos que para a diminuição das longas filas de espera não basta reduzi-las em esquema de mutirão temporário: é preciso garantir redução permanente de filas com: investimento para a qualificação dos serviços que já existem sobretudo em relação a prevenção (evitando encaminhamentos desnecessários); disponibilização de recursos para instalação de serviços necessários e que devido a histórica negligência com a saúde pública, estão ausentes na rede; a contratação de novos/as profissionais em condições dignas de trabalho (leia-se, não precarizados pelas empresas terceirizadas) para a melhoria do atendimento à população usuária (que não para de crescer especialmente no contexto atual da crise criada pelos ricos em que é uma realidade cada vez mais presente a perda de empregos e poder aquisitivo).
Em outras palavras, em todos os âmbitos precisamos defender o acesso à saúde como direito permanente por meio de políticas públicas que não tenham caráter emergencial e pontual. Com aporte de verba suficiente, com mais contratações, com a compra e manutenção de equipamentos para os serviços do SUS sob gestão pública direta, evitando quanto possível delegar ao setor privado (que, por essência, visa o lucro) o cuidado com a saúde das pessoas.


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